domingo, 9 de julho de 2017

Cruzada hispânica

Agora, o inverno vai a todo vapor. Chove tanto em Garanhuns, que acreditamos que o sol irá voltar somente em setembro. Segundo Virgínia, Deus está atendendo cada uma das orações que foram feitas, pedindo chuva. Portanto, como foram muitas súplicas, e o altíssimo tem um controle de qualidade acirrado de suas bençãos, seguremos-nos, pois haverá ainda mais chuva. Pelo menos, este ano, se permanecer como estamos, não reclamaremos que o inverno não veio para o Festival.  

Pronto. Então, estamos fechando as malas para uma cruzada hispânica. Outro dia, contei-lhes que havia me enrolado com o câmbio e o preço das tarifas aéreas. Pois, mesmo em tempos tão bicudos, arranjamo-nos e estamos seguindo para uns dias na Espanha. Tudo começou de uma raivinha que me fizeram lá no serviço. Às vezes, o pessoal exagera nas "picuinhas acadêmicas" e machucam. Para não dar uma mordida em cada um dos envolvidos, canalizei a minha energia na produção científica, e submeti um artigo num encontro de Análise Qualitativa, que este ano ocorrerá em Salamanca. Nem tinha nem esperança que fosse aprovado, pois, como participo como avaliadora, tive a pachorra de contar quantos artigos foram submetidos através do EasyChair: 698. Pois bem, qual não foi a minha surpresa quando me mandaram o e-mail de aceite do tal artigo. A partir de então, já desisti mil vezes, e sempre voltei atrás. Então, quando recebi o voto de aplausos da Câmara de Vereadores de Garanhuns, solicitado pelo Vereador Alcindo, não dava mais para desistir. Depois de deliberações, decidimos que iríamos eu e Luiza. Tony está enrolado com os processos da Câmara de Vereadores e preferiu economizar para a um "projeto pessoal em 2018", como ele mesmo diz. Arranjei um dinheiro na CEF (coisa de servidor público pobre!) e comprei as passagens. Ajeitamos, puxamos daqui e colocamos lá, e, amanhã embarcaremos para a cruzada hispânica. 

Preferi pegar o caminho conhecido da imigração portuguesa, pois, eles têm meu "DAE", e sabem que não tenho a intenção de ficar. Vamos de comboio para Aveiro, aproveitamos para matar as saudades daquela cidade tão linda, a qual tenho tamanha gratidão. Olhando o mapa, pode-se perceber que de Aveiro para Salamanca é quase uma linha reta de mais ou menos 300 quilômetros para o Oeste. Assim fica melhor do que ir para Madri e ter que pegar descendo. No outro dia, pegamos um ônibus para Albergaria-à-Velha, e de lá, outro ônibus para Salamanca.  Ficamos até a sexta, 14, quando será a nossa apresentação. Digo nossa, porque o artigo é em parceria com Francislê, e Luiza já se candidatou para ser minha assistente. De Salamanca, vamos à Madri e depois Barcelona. Tudo de comboio, que é mais barato. Voltamos à Lisboa e pegamos o bonde descendo para o Brasil, que ancora em Fortaleza e depois uma conexão para o Recife. Chegaremos, com a graça de Deus, no dia 21, pela madrugada.     

O itinerário está pronto. Salvo possíveis imprevistos, está tudo milimetricamente planejado. Apesar dos preços serem bem mais salgados nesta época do ano (o verão europeu custa os olhos da cara!), a grande vantagem é que as malas são bem menores, e como Luiza já está maior do que eu (embora eu não seja propriamente um referencial em altura), cada uma leva a sua bagagem, pois já eduquei a minha pequena as vantagens de ser compacta. Viajar com Luiza é bem legal porque ela já tem o nosso senso prático e gosta de participar de tudo. Quando estava naquela fase do "vou! não-vou-porque-não-tenho-dinheiro", ela veio pedir uma conversa de filha e mãe. Foi mais ou menos assim:

Ela - Mãe, eu quero ir a um psicólogo.
Eu -  E é? E por que tu queres ir a um psicólogo?
Ela - Porque estou com uns problemas e quero falar com alguém sobre as minhas coisas.
Eu - Fale comigo, então.
Ela - Não vale, tu és minha mãe.

Passou-se. Realmente, os dias subsequentes, percebi que ela estava muito tristinha, sem querer comer direito (isso é um sintoma grave na nossa família), ficando muito tempo no quarto. Pedi ajuda a Izabel, que me indicou uma colega dela, e tal. No final da semana, fiz minhas contas e fui conversar com a jovem, agora de mãe para filha:

Eu - Luiza, arranjei uma psicóloga para tu ires.
Ela - Boa. Eu vou quando?
Eu - Assim... Você sabe que essas coisas custam um bom dinheiro, e eu estou apertada porque tenho aquela história do congresso...
Ela - O da Espanha?
Eu - Esse mesmo. Então, eu só posso pagar uma coisa: você que ir ao psicólogo ou quer ir a Madri comigo?
Ela - (sem nem pestanejar) Vou para Madri!!!! 

E ficou boa na hora dos pantinhos de adolescente.

Pois bem, estou apostando que seja mesmo um bom remédio. Um pouco caro, mas completamente eficaz. Vou passar um tempo relativamente enforcada, mas, quem sabe estou realizando uma profecia daquelas que vem nas músicas infantis: "Fui a Espanha, buscar meu chapéu, azul e branco da cor daquele céu!" Além disso, o que seria da vida, se não fosse as minhas pequenas doidices?

Fiquem com Deus, que nós vamos com ele e Nossa Senhora!

Um comentário:

  1. Parabens Aninha. voce merece, Faça uma linda viagem com Analu e aproveite. bjs

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