domingo, 23 de dezembro de 2012

Digam-lhe que fui ali: Porto, Natal 2012

Árvore de Natal da Baixa, Porto
Como letra de samba, gravado por Carmem Miranda, a mais famosa cantora brasileira (que era portuguesa!),  "anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar". E com as sucessivas matérias veiculadas na TV, Luiza começou a insistir nessa história. Era a primeira vez que ela se deparava com as notícias apocalípticas. Com os olhos puxados arregalados de pavor, a menina nos perguntava reiteradas vezes se o mundo ia realmente acabar, até o dia em que lhe mostrei uma charge que representava um escriba a desenhar o calendário Maia, e o material havia acabado, por isso só  chegava até 21.12.2012. Achei graça, pois, foi uma oportunidade de me lembrar do medo que eu e Vilma tínhamos das profecias dos Borboletas Azuis, na década de 1980. Hoje, já temos mais experiência em fins de mundo e estas coisas não nos assusta. Como um senhor disse na TV: "Para o fim do mundo, estou pronto. Mas, não estou com pressa".   De qualquer forma, até que esta história rendeu bons programas, como a Maratona Fim do Mundo, no National Geographic. Quando conversava com Izabel pelo Facebook, acertando a sua permanência na nossa casa enquanto Tony passava essa temporada conosco, ela me perguntou se ele ficava "até o fim do mundo". Como o mundo não acabou, ele ficará até depois do Natal.
Como em todos os anos, programamos um passeio de final de ano. Em 2010 estava na dúvida se iríamos para Fortaleza ou Salvador. Acabamos migrando para Portugal e desde então, trocamos o sol e as praias tropicais de final de ano pelo frio e a chuvinha fina de começo de inverno no hemisfério norte. Esse é o nosso último inverno nestas paragens. Tenho planejado vir por aqui posteriormente somente na primavera-verão, no máximo até finais de outubro. Novembro à abril, está dispensado. Só  por compromisso. Este ano, nos decidimos pelo Minho. Pegamos o rumo do norte dia 18.12, fazendo uma paragem no Porto, depois seguimos para Barcelos, Braga e Guimarães.
Assim percebo o Porto: se o sujeito vier uma vez, voltará 10. Se vier, duas, voltará 20 vezes. Uma cidade cosmopolita que tem tudo de moderno firmemente encravado nas tradições. Optei por uma pensão na Avenida dos Aliados, num prédio histórico. Deixamos as coisas na pensão e fomos em busca de comida. Nesta zona há muitos restaurantes, do caro ao barato. No restaurante Aliados fomos muito bem atendidos por um senhorzinho corpulento, largamente envolvido em um avental surrado do serviço de cozinha. Tony e eu pedimos vitela à jardineira, e Luiza quis um peru grelhado. Ela mal tocou no peru que estava com uma aparência de papel A4. Comeu a salada e as batatas fritas, beliscando pedaços da minha vitela. De sobremesa, natas do céu, um docinho parecido com pavê, com camadas de biscoito triturados e um creme branco adocicado.
Desta vez, mesmo sob o céu chumbo, fomos visitar o roteiro de Matosinhos. Como o roteiro é litorâneo, me prometi voltar no verão. Nesta época lembra muito aquela música "Vento no Litoral", de Legião Urbana. Litoral sem sol é deprimente. Gostei muito de ver o Porto dos Leixões. Na verdade, fiquei surpresa. Vamos andando despreocupados numa zona de pequenos prédios residenciais e de repente, ao descobrir uma curva, damos de cara com um guindaste imenso. O autocarro passa numa via que bem ao lado é a entrada de navios. Dá a impressão que os imensos cargueiros trafegam na pista ao lado.  Em Matosinhos há uma área só de restaurantes especializados em peixe e crustáceos. O cheiro de peixe fresco e de peixe assado é incrível. Se eu tivesse asas, teria saído voando pelas redondezas, acompanhado as centenas de gaivotas que cruzavam os telhados. Para morar nesta área é preciso gostar de aves. Leixões é uma mistura do Jaraguá (Maceió) com Avenida Sul (Recife) numa cena de Os Pássaros, de Alfred Hitchcock. Quem quiser conferir, vá lá e veja com seus próprios olhos que as aves irão de levar!
Rua de Santa Catarina.
Na volta, passamos na Rua de Santa Catarina. O movimento de compras de natal nesta zona de comércio é incrível! Envoltos numa névoa de fumaça (fumo, no português de cá) das deliciosas castanhas assadas em pequenos fogareiros às beiras dos passeios é um cenário belíssimo. Aqui é possível comrpar um legítimo Rolex (se tiver dinheiro, lógico), um Dolce & Gabana, ou arriscar nas muvucas da H&M. Um comércio de A a Z, na rua, como há tempos não via. A iluminação de natal está linda, o efeito visual das árvores em pequenas luzes brancas dá a impressão de uma floresta na rua. Gostei muito. Entramos no Via Catarina, um centro de compras estilo Shopping Boa Vista, que tem de tudo também. Inclusive pessoas apressadas que batem na gente e nem pedem desculpas. Parece que vão tirar o pai da forca!
Tony queria ver a 'árvore da baixa'. Não é que a bendita árvore ficava bem na frente da nossa janela da pensão, nos Aliados? À noite, descemos para jantar e ver a iluminação. Na mesma praça (aqui chama-se largo) colocaram uns balanços (diz-se baloiços), muito disputados pelos turistas e pelos habitantes locais para fotografias de fim de ano. Não conseguimos 'vaga' para fazer as fotos a noite. Preferimos voltar no outro dia pela manhã. Ideia simples, elegante e divertida. Não se espantem se no ano que vem surgir algo parecido no Relógio de Flores, em Garanhuns. O que é bom é para ser copiado!


Baloiços de natal, nos Aliados
Para fechar nosso primeiro dia de tour das luzes de natal, como disse Ilma, fomos visitar a Sé do Porto. De lá temos uma vista linda  dos telhados e da estação de São Bento. O cheiro de peixe fresco e as cantorias das vendedoras nos chama atenção para o Mercado de São Sebastião, uma construção bonita, mas mal tratada. Fomos descendo a ladeira, enquanto subia uma fila de crianças pequenas organizadas em díades, uma coisa linda de se ver. Apenas uma professora à frente, e outra atrás. Os portugueses são muito ordeiros.
Mercado S. Sebastião

Na subida, entramos nas "banglas" (todas as lojas tem Bangla no nome: Bangla Store, Bangla Bazar)  lojinhas dos indianos, abarrotadas de tudo que é coisa, inclusive de pequenas lembranças a um preço mais acessível que nas lojas de artesanato local. A bangla é um equivalente ao chinês, só que menos caótica. O ruim é que os proprietários tratam-nos como se fossemos roubar qualquer coisa. Como diz Tony: "o desconfiado é o ladrão". O tratamento só muda quando nos aproximamos do balcão com qualquer besteira na mão e o porta moedas em outra. Então, eles até sorriem! Compramos as besteiras de sempre e um cortador de unha, pois, vi horrorizada que as unhas de Luiza estavam imensas - e sujas, logicamente. Uma tigresa de unhas negras!

Terreiro da Sé, Porto.

Tomamos o comboio às 12h45min para Barcelos.
Na próxima, eu conto.
Até amanhã, fiquem com Deus.
  

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Estivesse no Porto dessa vez, não foi, Genésia? Vi umas fotos tuas com o Anselmo e a tia, acho que eram lá! Saudade de tu! Beijos!

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