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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Gosto ou não gosto?

Já passa de um ano que estamos em terras portuguesas. E nestes últimos dias, aproveitando as férias de natal de Ana Luiza e que Tony já está recuperado da travessia do Oceano e do hemisfério - é, porque não é fácil viver 3 invernos no ano, provações desse meu casamento, que o meu amado tem suportado heroica e bravamente: saiu daqui em janeiro, no inverno. Voltou em Maio, e retornou em junho, que é inverno no Hemisfério sul. E agora, já está todo paramentado de novo em terras portuguesas para mais um inverno - e fomos dá um passeio em Portugal. No caminho de volta, à bordo de um autocarro à 80 km/h apesar da estrada impecável, pensava no que já aprendi nesses quase  390 dias neste lado do mundo. E fiz uma pequena lista das coisas que gosto, do que estou me acostumando ainda, e do que definitivamente (ainda!) não dá para ser feliz:

Coisas que ODEIO, apesar de todo o esforço:

1.Ovos moles. É o doce típico de Aveiro, famosíssimo, mas, desculpem lá, não dá para mim. Acho que o defeito é do meu paladar, já que não gosto de gema de ovo em qualquer que seja a situação.
2. Moedas de 1 cêntimo. São pequenas, não dá para comprar nada, e só dá para cair da carteira. Chatíssimas.
3. Frio com chuva. Só o frio é suportável, mas a chuva...
4. Ter que vestir 300 roupas de inverno para levar Luiza à escola que fica do outro lado da rua. O mesmo serve para ir à padaria.   
5. IVA (Imposto sobre Valor Acrescentado). Pior do que esse imposto que se paga quando se compra ou consome qualquer produto ou serviço, é quando uso o cartão de crédito brasileiro e danço com o IOF. É para se lascar.
6. A narração do futebol. É impossível assistir umjoguinho... Os narradores conversam demais e quando é gol, parece mais que foi lateral de tão desanimado.  

Coisas que NÃO GOSTO, mas é o jeito e acabo me acostumando.

1. Guarda-chuva, botas e casacos pesados, nesta ordem.
2. Amanhecer às 7hs.
3. Ter que explicar aos pais dos colegas de Luiza porque o pai dela mora no Brasil e nós aqui. Sempre me olham como se eu fosse um E.T. ao final da explicação.
4.   O humor contido dos portugueses. Às vezes é dificil entender um povo que não gargalha. E isso me dá uma saudade enorme da AESGA. E de Josi.

Coisa que eu GOSTO, quase ADORO.

1. As Bibliotecas da UA e os seus atendentes simpáticos e eficientes. Engraçado como eles sussuram e sorriem. Parece que estão contando um segredo divertido.
2.Quando dizem "eh, pá!" Acho lindo. Dá vontade de ficar abusando só para ouvi-los nessa típica interjeição.
3.A organização do trânsito e a educação das crianças.
4. Comboios. Sempre estão no horário.
5. Água quente na pia de lavar louça. 
6. A internet. Mesmo os serviços mais básicos são de extrema qualidade.
7. Lisboa, que é Recife sem calor e sem ladrão.
8. As paisagens de Sintra, quadros pintados pelas mãos de Deus. Essa foto ai foi feita com a Torradeira, que continua firme e forte.

Volta do Duche, Sintra, Portugal

9. Pastel de nata (Conhecido no Brasil como Pastel de Belém) com café expresso. Só juntos são tão gostosos.  
10. Três ou quatro professores da UA. Figuras interessantes, inteligentíssimas e, sobretudo, simples. Seres humanos especiais que levarei comigo para onde quer que eu vá.

Cada dia vivido é um novo aprendizado. Somos felizes por esta oportunidade de viver o mundo da perspectiva do "irmão mais velho". 

Té amanhã, fiquem com Deus. 






sexta-feira, 25 de novembro de 2011

1 ano depois...

Baixa de Sto. Antonio, Aveiro

Tony sempre diz que "o tempo passa rápido, depois que passa". Hoje completa 365 dias que sai do Brasil, e nesses dias a minha noção de tempo anda meio distorcida. Às vezes, parece-me que estamos aqui há uma eternidade. E no momento seguinte, ressalta-se a minha estrangeirice e emergem os cacoetes tropicais. Um oceano não me deixa lembrar que a distância é considerável. Luiza outro dia, me propunha uma reconstrução geológica do mundo, mostrando-me que dava jeito tirar do meio o oceano. Assim, seriamos vizinhos numa neo-pangéia. Como isso é mais fácil nas fantásticas hipóteses infantis, dá mais jeito aprender e gostar de aprender com as oportunidades que esse mundo do lado de cá me  oferece.


Gaivota em Aveiro

Como em todo lugar (aqui diz-se sítio), Portugal tem coisas muito boas e coisas não tão boas. Fiz uma opção de vida pelo belo, bom e bem, as coisas e gentes ruins estão dispensadas. Não me disponho a carregar peso de amargura pois sou uma preguiçosa emocional: amar, para mim é mais fácil e rapidamente me dôo a afeição a lugares e pessoas. Se elas me decepcionarem, paciência, é da vida. Faço o exercício de depurar as coisas ruins e, mesmo se assim o permaneça, transformo-as em aprendizagem.
Espinho
Neste pequenino post de 1 ano, agradeço à Deus pela Sua infinita generosidade de me conceder mais um dia, por entrelaçar o meu caminho aos caminhos de pessoas únicas. De cotidiano em quotidiano vivido, estas pessoas distante em dois continentes, vão unindo as duas metades do Atlântico nesse coração transnacional que arranjei.   





Árvores no inverno - Aveiro

Jacarandás em Braga
Flores na feira semanal de Espinho
Árvore de outono, Parque Infante D. Pedro, Aveiro
Muito obrigada pela companhia, meus 49 amigos declarados e os anônimos que dedicam alguns minutinhos de seu dia para saber "as novas". Somos mil corações sintonizados mensalmente. Vocês fazem parte deste caminhar.

Té manhã, fiquem com Deus.

PS: As fotos são meu olhos, através da travessa torradeira. Tão fiel, que sinto em deixá-la!