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domingo, 20 de agosto de 2017

No caminho a caminhar: Lisboa

Luiza e o Elevador de Santa Justa, Lisboa.

Já era hora de pegar o beco e voltar para casa. 10 dias passam muito rápido, principalmente quando se está em lugares tão especiais. Então, depois do velho cafezinho, demos uma voltinha na Rambla, a tempo de ver os artistas que fazem as estátuas vivas chegarem aos seus pontos. Um espetáculo à parte: de um lado, um allien meio vestido de gente,  do outro, uma dama antiga, maquiada, com suas perucas de cachinhos, de leggin e top. Depois de comprar uma coleção de lápis e uma pulseirinha para Luiza, ainda passamos no Mercado Boqueria, antes de ir buscar as malas, no número 41 de Las Ramblas.  Fomos andando pelo meio do calçadão para chegar a Plaza Cataluña e pegar o aerobus para o aeroporto de Barcelona, terminal 1. Ainda deu tempo de ver o bebedouro do Barcelona, comemorativo a algum título do time de futebol mais conhecido do mundo e pisar no mosaico de Juam Miró, que até então não tínhamos visto porque só passávamos pelo outro lado da calçada. No aeroporto, aquela espera de sempre: primeiro para abrir o check in e finalmente, nos livrarmos da bagagem. Antes disso, ainda comemos sanduíches num café bem arrumadinho, enquanto olhávamos o desembarque. Depois, compramos água e chocolate e fomos despachar nossas malas. Estava somente com o identificador, e como havíamos comprado os tickets pela Ibéria, estava certa que deveria ir no guichê essa empresa. Mas, para o nosso voo, a gigante da aviação espanhola havia tercerizado, daí, tivemos que procurar o check-in da Vueling. Luiza desenrolou tudo num inglês bem arrumadinho. Eu fiquei do lado só mostrando os documentos. Ainda esperamos um pedaço bom, pois o nosso voo só sairia pelas 17h. Enquanto isso, olhávamos a vida alheia dos viajantes. 

O processo de embarque desse aeroporto é quase todo automatizado. Vocês só trocará uma palavra com um ser humano se quiser. Passamos nos guichês, imitando os demais, e seguindo a multidão, passamos no raio x das nossas bolsas de mão. Entramos na área de embarque, seguindo por um imenso corredor para encontrar nossas "puertas".  Quando autorizam o embarque, costumo chamar a minha pequena: "vamos pegar o beco", o que não deixa de ser verdade, porque temos que entrar naqueles corredores imensos que desembocam na aeronave. Na nossa frente iam duas figuras, dois caras muito brancos, com mochilas nas costas e uma peculiaridade: um deles estava descalço!

O sujeito descalço (e fedorento) no embarque para Lisboa

Dei uma tapeada e fiz a foto. É a prova de que o povo na Europa não está nem aí para como o sujeito se veste, se calça ou não. Fiquei rezando que nenhum dos dois sentassem ao nosso lado, pois estávamos com assentos separados. Os sujeitos quando se mexiam subia um cheiro nauseabundo de grude, suor e xixi. Ninguém merece uma companhia dessas. Felizmente, eu fui sorteada para a saída de emergência, entre dois executivos que mal se mexiam. E Luiza ficou entre um norte-americano gordo e uma senhorinha. Menos mal.

Chegamos em Lisboa pelas 20h. Como a cidade é temperamental, o tempo já estava diferente. Passamos os últimos dias em altas temperaturas, mas em Lisboa, o céu estava nublado e ventava um bocado. Pegamos o metro e descemos no Rossio. O bom  de chegar em Lisboa é a sensação de familiaridade. Antes de subirmos para nossos alojamentos lisboetas, paramos num restaurante ao lado da Estação Ferroviária do Rossio e batemos dois belos pratos da boa comida portuguesa. Luiza pediu bifanas com batatas fritas e eu, comi hamburgueres. Fomos muito bem atendidas por um jovem engraçado que, ao identificar-nos como brasileiras, sacou do vocabulário uma série de "valeu", "é top". Depois de bem alimentadas, fomos para o hostel. Instalado num casarão setecentista, o nosso quarto ficava no quarto andar, sem elevador! Quase morro para subir os oito lances dos quatro andares de escada de madeira, de degraus bem estreitinhos. Prometendo visitar o cardiologista quando voltasse, chegamos num quarto com uma cama de casal, uma varandinha com portas duplas, um duche apertado para tomar banho, uma pia, e só. O banheiro era coletivo, lá no final do corredor. Essas hospedagens são mais baratas e, apesar de não ter nenhum luxo, são seguras, limpinhas e cabem no nosso exíguo orçamento. Foi tomar banho e cair na cama. Me acordei no noutro dia, com a vida começando no Rossio. 
Restauradores, vista da varandinha do prédio antigo.

No outro dia de manhã, Lisboa continuava sob uma chuva fininha. Luiza disse que era para nos habituarmos ao nosso inverno tropical de Garanhuns. Pretendíamos ir à Belém, mas, acordamos tarde, acabamos andando pela Augusta, até a N.Sa. do Carmo e pegarmos um bonde errado e acabarmos em frente ao Cemitério de Martin Moniz. Depois de muita conferência, pegamos o bonde de volta, e ao avistar a Igreja de Santa Catarina, chamei Luiza para descermos no Chiado, bem atrás da estátua do Poeta. Fizemos uma parada obrigatória na Brasileira, onde tomamos um cafezinho - Luiza fingiu que tomou. Ela odeia café espresso -, e fomos zanzar na Bertrand, uma livraria obrigatória para nós, quando vamos a Lisboa. Adoro, tem tudo que você imaginar e vários idiomas. O problema é sempre o mesmo: com a grana curta, escolher não é nada fácil. Optei por um livro de Eça de Queiroz, um de José Saramago e outro de Agualuza. Luiza escolheu dois para engordar a lista dela, já quilométrica. Depois, fomos almoçar no Armazém Chiado e zanzar mais um pouco na Fnac. Já à noitinha, tomamos o metro - sobre a estação do Chiado, uma nota: aquela sucessão de escadas rolantes entrando chão a dentro me causam uma péssima impressão. Fui conversando bobagens para não registrar que estava sendo enterrada viva. Meu coração só volta ao normal quando chegamos na plataforma da estação. Seguimos para a Gare do Oriente, pois Luiza queria ir ao (shopping) Vasco da Gama, e eu precisava comprar uma mala para trazer as coisas. Compramos mais umas camisas para Tony e pegamos voltando para o Rossio. Para jantar, passamos no Pìngo Doce e compramos meio frango, batatas fritas e uma garrafa de suco de laranja natural: como nos velhos domingos quando morávamos em Aveiro. 
Acima, eu e Luiza no Chiado. Abaixo o quartinho do 5º andar do Guest House.
  Quando chegamos no Hostel, fomos informados que haviam nos mudado de quarto: agora estávamos no quinto andar! mais dois lances de escada, e ficamos instaladas no sótão. Mas, até que o quarto era bonitinho, apesar do banheiro ser completamente partilhado. Perguntei umas vezes a Luiza se ela queria ir ao banheiro, pois se quisesse, eu iria com ela, com medo de que alguma daquelas portas se abrissem e um meliante puxasse minha menina para o quarto. Duas fica mais difícil de atacar. Eu tenho assistido muito episódios de Law and Order SVU. 

No outro dia pela manhã, já não chovia, mas, estava friozinho. Luiza não quis descer para tomar café, fui sozinha a uma padaria que fica na esquina com o Theatro D. Maria I. Depois, fui andando até o Tejo, só para dá tchau. Na volta, comprei um pãozinho e um suco Compal e fui lutar com as coisas para acomodar tudo dentro das malas. A descida dos cinco andares com duas malas me fez duvidar que descendo todo santo ajuda. Cheguei ao rés do chão lavada de suor e com o coração na boca, reconhecendo que preciso urgentemente perder peso e melhorar a minha condição física. Pagamos o Aerobus em frente a fonte do Rossio e chegamos ao Aeroporto pelas 14 horas. Mais alguma espera e já estávamos voltando, no nosso voo de 7 horas sobre o Atlântico, aterrisando em Fortaleza. Daí, pegamos um voo da Gol para o Recife, sob uma chuva que me fez duvidar se realmente iria decolar. Chegamos em Recife pelas 2h da manhã, onde Tony já nos esperava após assistir o Jogo Sport X Atlético de Goiás. O Sport ganhou de 4 x 0 e quando chegamos, Boa Viagem estava às escuras, sem energia por causa da queda de árvores. Dormimos na Pousada Casuarinas, que chamamos carinhosamente de "Pousada dos gatos", pois na rua e na pousada há muitos felinos. 

Foi uma boa viagem. Temos absoluta certeza de que iremos fazer esse caminho mais vezes para descobrir novos aspectos, pois, foi uma breve passagem. Até a próxima!

Fiquem com Deus.

sábado, 27 de abril de 2013

Lisboa não é a cidade perfeita

Lisboa e o Tejo, vistos do Castelo de S. Jorge. Foto de Tony Neto
Parece-me que, finalmente, a primavera chegou. Com ela as novas vestes das árvores do nosso caminho, o solzinho morno ao meio dia, o céu azul pronfundo sem nuvens que só Portugal sabe fazer. E o vento aveirense desgrenhando cabelos e semeando arrependimentos pela escolha do agasalho.

Nestes últimos meses em Portugal, Ricardo Reis tem sido minha companhia constante e a medida do possível. Estabelecemos, eu e o senhor doutor orientador que deixaria aqui uma versão provisória da tese para correção, e, pelo que vejo, ainda falta-me tanto! De forma que ando numa correia de dados em horas e horas de mesa-cadeira-computador. Então, nos intervalinhos e com a saudável desculpa de não ficar (mais) doida, leio umas páginas da obra do Velho (José Saramago) "O ano da morte de Ricardo Reis". Comprei-o no Carnaval, pois a chuva, o frio e a falta de numerário nos impediu de fazer passeios. O livro de capa amarela aguardou pacientemente na fila que consumiu-se aos poucos. Chegou em mim, enquanto Ricaro Reis chegava a uma Lisboa chuvosa à bordo do Adamastor, desembarcando sob a chuva fininha e o vento fustigante na foz do Tejo.
 
A ideia do Velho é algo genial. Logicamente, ninguém é agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura cuja a obra não seja menos que isso. O enredo é sobre a vida secreta do médico portuense, radicado por anos no Brasil. Ricardo reis é um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Além de ser um passeio pela obra do poeta maior da língua portuguesa (desculpa, Camões!) é um retorno a Lisboa com olhos de quem a deixou por dezasseis anos (acho bonitinho o jeito que os portugueses pronunciam o dezesseis e o dezenove: dezasseis e dezanove, e leva a mesma grafia). Sem coincidências, a Lisboa de Ricardo Reis é a mesma que perambulamos: O Rossio, a Praça da Figueira, a Sé, as ruínas do Carmo, o Chiado. O terreiro do Paço, as margens do Tejo. Nunca me perdi na Lisboa antiga, e ando por lá de olhos fechados. Simplesmente, quando estou procurando algum lugar, acho que é por ali, e pronto. Perguntamos para tirar as dúvidas e gastamos muitas calçadas, mas acaba chegando. Não sei porque. Somente é. Apesar de atulhada de vagabundos, carteiristas e imigrantes de mau aspecto, não me intimida, nem faz medo. Essas calçadas de muitos passos já tinha meus pés gravados antes de vir aqui.
 
Lisboa não é a cidade perfeita. E é o título de um fado de Deolinda. Mês passado, quando voltávamos do Alentejo, não resisti e resolvemos, mesmo de última hora, pernoitar na capital portuguesa. Da estação de Sete Rios, pegamos o metro. Aquilo lá está muito mudado, quando estive cá em 2005, a integração dos comboios, autocarros e metro estava em construção ou reforma, não sei bem. Descemos nos Restauradores e passamos pela estação do Rossio. Ainda elegante, como uma senhora idosa, essa estação de comboios é constantemente referida nos livros que leio. Entramos na rua escondida por trás do Rossio, onde os restaurantes são mais baratos. Passamos na frente de uma loja do Pingo Doce e mais à frente encontramos a uma pensão gerida por uma família de indianos. Mesmo em um português precário, o atendimento é bom, a casa é limpa e as camas, confortáveis. Misturando inglês e portugues nos entendemos e fizemos negócios. Deixamos nossas coisas e fomos almoçar na Augusta. O Pórtico está em reforma e num restaurante espanhol Bruno e Marrone se esgoelavam a hora do almoço. Escolhemos uma mesinha sob um guarda sol verde. Um vento gelado encasacados, só os nórdicos tem couro para aguentar esse solzinho de geladeira em maguinhas e a beber cerveja. Enquanto trincava o meu bacalhau, servido pelo Sr. António, o simpático atendente de mesas que cantou parabéns na TV, eu olhava as pessoas. Mais turistas que locais, para alguns a crise econômica não é tão profunda assim. A maior parte dos turistas são de meia idade ou de idade completa. Observarvamos isso lá na pousada que ficamos em Évora. Pelas caras, a média de idade dos hóspedes era de 60 e alguns. O boy da turma aparentava uns 65. Com um desconto, pois os brancos sofrem mais as intempéries, e tirando meu exagero, era mais ou menos isso. Terceira idade não fica encarcerada em casa. A reforma custeia mais que os remédios para pressão alta ou diabetes. Os filhos já lhes deram netos, e o mundo é grande. E com o destino a favor, enquanto eu e Luiza calculávamos a idade deles, eles nos olhava como fossemos micos de circo, entre nossas risadas na sala do pequeno almoço. Não preciso dizer que Luiza deu escândalo quando viu uma mosca sobre a mesa. Vá lá, isso é absolutamente incomum nestas bandas.   
 
Na capital, os sinais da crise são mais evidentes que no interior. Vimos uma Lisboa mais suja, mas ainda sem cara do Recife. Os moços bem arrumados a passear desfarçadamente não nos enganam mais: são os carteiristas. Os trombadinhas de cá são jovens bem apanhados, que enganam os turistas e levam os pertences de quem é muito distraído. Há polícia dentro do supermercado, pois, no caso de um furto descoberto, não se dão o trabalho de chamar a polícia: o homem da lei já toma as providências. Os alarmes tocam mais e o preconceito é evidente. Não me surpreendeu que o casal negro retinto que estava a minha frente fosse retido pelo alarme eletrônico à saída dos caixas. O policial veio, pediu para ver a bolsa da senhora. Ela, com toda naturalidade do mundo abriu a bolsa sobre o olhar constrangido da atendente. Tirou uma série de objetos pessoais e nada da loja. Luiza acompanhava tudo com olhos de pânico. A mulher nem se abalou, aparentemente acostumada com a incerta. Diante do meu pasmo, o policial ainda desculpou-se comigo: "Infelizmente, precisamos verificar se há algo irregular". Enquanto isso, o casal verificado nem se incomodava e seguia o seu caminho.
 
As pessoas se habituam a tudo. Mesmo num mundo cada vez pior, "ainda bem que o Tejo é lilás" e me atrai para essas margens de estuário nas horas de sol. Nas palavras do Velho, "aos deuses peço só que me concedam o nada lhes pedir" (p. 43), nem para cá voltar. Lisboa, desde sempre, foi o meu caminho. 
 
Deixo-lhes o fado, na voz afinadíssima da Ana Bacalhau e os Deolinda. 
 
Até amanhã, fiquem com Deus.    

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Digam-lhe que fui ali: Lisboa

Passamos os últimos meses no esquema casa-escola-casa. Enrolei Luiza com a resposta padrão o quanto pude, quando ela me questionava a ausência completa de passeios. "Quando o seu pai chegar, iremos" foi um santo remédio. Com isso, dediquei-me mais  às minhas infindas leituras e rabiscos eletrônicos no EndNote. Quem passou por isso,  me diz que isso é normal: os primeiros passos de uma tese é pior do que enterro de Ojuobá: neste, o homem que é os olhos de Xangô nos terreiros de candomblé é conduzido aocampo santo no passo solene de dois passos para frente e um passo para trás. Penso que o começo da tese é justamente o contrário: um passo para frente e dois passos para trás. Às vezes creio que leio em círculos numa floresta densa de PDFs. Por conta disso, aliado a ausência de recursos (maneira fina de dizer conforme minha mãe, que está mais liso que os pratos da música!), fui deixando o passeio para quando Tony chegasse. E assim foi. Uma semana após ele desembarcar do outro lado do Atlântico, juntamos umas coisas em uma mala e pulamos em um comboio para Lisboa. O plano era voltar a Lisboa, cidade que adoramos, visitar Sintra e Fátima. Ainda pensei em esticar até Évora, mas, ficaria cansativo para Luiza, que no terceiro dia de viagem já começa a perguntar quando iremos retornar à casa. Évora fica para a próxima vez que formos a sul.

Área de alimentação da R. Augusta
Saímos de casa às 8hs sob 6 graus. O orvalho da manhã dá a impressão que estamos com as calças molhadas de tão frias. Luiza parecia um feijão de cachecol e chapéu. Dessa vez, tomamos o comboio intercidades, que é mais barato. Já conheci o Alfa Pendular, um trem mais chique do que esse outro mais acessível. Chega do mesmo jeito e a diferença entre um e outro são apenas mais algumas paragens. Chegamos a Lisboa à hora do almoço. Já havia prevenido os meus companheiros que iriamos almoçar em algum restaurante da Rua Augusta, no Rossio. Uma das ruas que mais gosto de andar nessa cidade, que para nós é estas áreas históricas às margens do Tejo. Nos acomodamos sob um sombreiro no centro da avenida, que forma uma grande praça de alimentação. Uns fogareiros faziam o lugar mais quente que os agradáveis 16 graus. Tony pediu dourados e Luiza escolheu costeleta grelhada. Dois pratos dá para nós três porque eu divido com Luiza. Cometemos o pequeno engano de não perguntar o que acompanhava o bendito dourado e vocês precisavam ver a cara de Tony quando um prato repleto de feijões verdes (parecem com as nossas vagens) e salada de acompanhamento. Tive que fazer uma reengenharia dos pratos: dividi o arroz da costeleta para os dois, e fiquei com as verduras. Tudo isso,  sob a mangação de Luiza,que gabava-se de ter escolhido o prato perfeito. Os dois pratos, com duas colas (Coca-cola. Aqui se diz só o sobrenome do refrigerante!) e dois pães (daqueles da casca dura e o miolo bem molinho) custou 26 euros. Razoável. O garçom simpático nos ensinou a chegar ao castelo de S. Jorge.

O bonde. Fomos no 28, no sentido contrário.
Andava até a quarta travessa da rua Augusta, atravessava o passeio e apanha o Carreira 28. Esses  bondinhos lindos circulam elegantemente pela Lisboa antiga, mas custam os olhos da cara: 2,80 a passagem. Como eu tinha um desejo de buchuda de andar nesses bondes, subimos e pagamos para subir umas ladeirinhas. Ao pé do Miradouro de Santa  Luiza, o condutor (abusadíssimo!) avisou-nos para descer. Esse miradouro é uma paragem muito simpática, de onde se avista o Rio Tejo e parte da cidade.

Vista do Miradouro de Sta. Luiza. Ao fundo, Rio Tejo.

Seguimos à pé, orientados pela sinalização turística perfeita da área, rumo ao Castelo de São Jorge. Da sacada do nosso quarto de pensão na Praça da Figueira, vemos as torres do Castelo bem no alto. Compramos um bilhete econômico de família, e entramos nos jardins do castelo. Há na murada canhões apontando para o Rio e lunetas para apreciar a cidade. Luiza pulou logo no pedestalde uma delas, querendo fazer uso das lentes de aproximação. Percebemos que para o tal negócio funcionar é preciso inserir 0,50 ou 1 Euro na ranhura que abre a lente. Ela ficou muito feliz em usar a luneta pública.


Muralhas do Castelo de S. Jorge
O Castelo é belíssimo. Nos fartamos de subir escadas para alcançar as Torres e nos presentear com as vistas maravilhosas da cidade. Uma delas é a famosa Torre do Tombo, que guarda uma imensa documentaçãohistórica de Portugal e suas antigas colônias. Muito das pesquisas sobre a historia do Brasil tem que ser feita nesses documentos. Me lembrei muito da Profa. Giseuda e dos meus queridos companheiros da Especialização em História da UPE. Quando começamos a andar, Luiza começou a me atentar por uma casa de banho, pois estava apertada. No pátio interno no Castelo há toda uma infra-estrutura de acolhimento, com restaurante, museu arqueológico e snacks. E nada dos banheiros. Com muito custo, conseguimos enncontrá-los num canto do Jardim Romântico. Achei estranho que um bando deturistas de todos os lugares do mundo estivessem postados à frente da entrada da casa de banho,que ficava no subssolo (aqui diz-se cave). Eles estavam vendo uns pavões que estavam empoleirados no alto da escadaria. Eram muitos pavões, acho que uns 7. Tivemos que descer as escadas bem sob a mira do bumbum dos pavões, com a ameaça dos bichos fazerem cocó nas nossas cabeças. Além dos pavões, o Castelo de São Jorge abriga também muitos gatos, e eles são bem bonzinhos e gordinhos, deixam-nos fazer carinho e tudo.

Muralhas do Castelo de S. Jorge, Lisboa


Terminada a visita ao Castelo descemos a pé pois na descida, todo santo ajuda. Aproveitamos e visitamos o outro lado do Miradouro de Santa Luiza, e curtimos um grupo de músicos africanos que se apresentavam na rua, visitamos a Sé de Lisboa e a Igreja de Sta Ma.Madalena. Já estava escurecendo quando pulamos em um leve (Veículo Leve sobre Trilhos, é um trem que anda no meio da rua) e fomos à Belém em busca dos famosos pastéis.

O famoso Pastel de Belém é um pastel de nata comum. Aliás, o pastel é como uma pequena tortinha de massa folhada, do tamanho de um bolinho de padaria, recheado com um creme feito de nata e polvilhado de canela. Simples, mas delicioso. Quando cá estivemos em maio, não deu coragem de enfrentar a multidão. O Pastel de Belém é como o Rei das Coxinhas: não tem dia nem hora para esvaziar. E foi o único lugar que encontramos cidadãos portugueses em quantidade considerável. Ao chegar, entramos até lá no finalzinho (o casarão azul e branco é enorme) e nenhuma mesinha disponível. Ficamos ao pé da parede esperando que uma alma decidisse ir embora. Pedimos três pastéis, um café cheio e uma meia de leite. Luiza preferiu um guaraná antárctica (tem em quase todo estabelecimento). Quando o garçom passou de volta, pedimos mais uma meia de leite para mim (é café com o maravilhoso leite não adulterado. Uma delícia!), mais um café e mais dois pastéis: um para Luiza e outro para Tony. Para pedir a conta, pedimos mais um pastel para Tony. Quase que não saíamos de lá. A diferença do pastel de natal de qaulquer lugar e o de Belém é que a a massa folhada da base é mais estaladíssa e serve-se quentinho: não dá tempo de esfriar. Não deu para publicar as fotos pois a Torradeira entrou em greve e se negou a cooperar. Muito temperamental, essa máquina!

Voltamos à Praça da Figueira num  bonde. E no outro dia fomos à Sintra. E essa história fica depois.

Até amanhã, fiquem com Deus.
 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Gosto ou não gosto?

Já passa de um ano que estamos em terras portuguesas. E nestes últimos dias, aproveitando as férias de natal de Ana Luiza e que Tony já está recuperado da travessia do Oceano e do hemisfério - é, porque não é fácil viver 3 invernos no ano, provações desse meu casamento, que o meu amado tem suportado heroica e bravamente: saiu daqui em janeiro, no inverno. Voltou em Maio, e retornou em junho, que é inverno no Hemisfério sul. E agora, já está todo paramentado de novo em terras portuguesas para mais um inverno - e fomos dá um passeio em Portugal. No caminho de volta, à bordo de um autocarro à 80 km/h apesar da estrada impecável, pensava no que já aprendi nesses quase  390 dias neste lado do mundo. E fiz uma pequena lista das coisas que gosto, do que estou me acostumando ainda, e do que definitivamente (ainda!) não dá para ser feliz:

Coisas que ODEIO, apesar de todo o esforço:

1.Ovos moles. É o doce típico de Aveiro, famosíssimo, mas, desculpem lá, não dá para mim. Acho que o defeito é do meu paladar, já que não gosto de gema de ovo em qualquer que seja a situação.
2. Moedas de 1 cêntimo. São pequenas, não dá para comprar nada, e só dá para cair da carteira. Chatíssimas.
3. Frio com chuva. Só o frio é suportável, mas a chuva...
4. Ter que vestir 300 roupas de inverno para levar Luiza à escola que fica do outro lado da rua. O mesmo serve para ir à padaria.   
5. IVA (Imposto sobre Valor Acrescentado). Pior do que esse imposto que se paga quando se compra ou consome qualquer produto ou serviço, é quando uso o cartão de crédito brasileiro e danço com o IOF. É para se lascar.
6. A narração do futebol. É impossível assistir umjoguinho... Os narradores conversam demais e quando é gol, parece mais que foi lateral de tão desanimado.  

Coisas que NÃO GOSTO, mas é o jeito e acabo me acostumando.

1. Guarda-chuva, botas e casacos pesados, nesta ordem.
2. Amanhecer às 7hs.
3. Ter que explicar aos pais dos colegas de Luiza porque o pai dela mora no Brasil e nós aqui. Sempre me olham como se eu fosse um E.T. ao final da explicação.
4.   O humor contido dos portugueses. Às vezes é dificil entender um povo que não gargalha. E isso me dá uma saudade enorme da AESGA. E de Josi.

Coisa que eu GOSTO, quase ADORO.

1. As Bibliotecas da UA e os seus atendentes simpáticos e eficientes. Engraçado como eles sussuram e sorriem. Parece que estão contando um segredo divertido.
2.Quando dizem "eh, pá!" Acho lindo. Dá vontade de ficar abusando só para ouvi-los nessa típica interjeição.
3.A organização do trânsito e a educação das crianças.
4. Comboios. Sempre estão no horário.
5. Água quente na pia de lavar louça. 
6. A internet. Mesmo os serviços mais básicos são de extrema qualidade.
7. Lisboa, que é Recife sem calor e sem ladrão.
8. As paisagens de Sintra, quadros pintados pelas mãos de Deus. Essa foto ai foi feita com a Torradeira, que continua firme e forte.

Volta do Duche, Sintra, Portugal

9. Pastel de nata (Conhecido no Brasil como Pastel de Belém) com café expresso. Só juntos são tão gostosos.  
10. Três ou quatro professores da UA. Figuras interessantes, inteligentíssimas e, sobretudo, simples. Seres humanos especiais que levarei comigo para onde quer que eu vá.

Cada dia vivido é um novo aprendizado. Somos felizes por esta oportunidade de viver o mundo da perspectiva do "irmão mais velho". 

Té amanhã, fiquem com Deus. 






domingo, 5 de junho de 2011

Digam-lhe que fui ali: Lisboa, parte 2

Então...
Depois de ver o Mosteiro dos Jerônimos, Luiza começou a reclamar que estava com fome. E vocês não queiram ver um Ferreira com fome, eles viram bichos. Fomos procurar comida. Ao lado do Mosteiro à direita de quem sai, tem um café. Mas, a comida disponivel era tipo fastfood, e, não era o que procurávamos. Fomos para o outro lado, de onde viemos. Passamos pela frente dos Pastéis de Belém, naquela hora parecia um pregão da bolsa de valores. Era melhor voltar depois. Caminhamos pela rua, olhando os cardápios afixados nas portas dos restaurantes. Uma boa vantagem que tem na Europa é que há essa obrigação de expor o cardápio e o preçário dos pratos, assim, reduz a surpresa na hora da conta. Do lado do Pastel de Belém, subia um cheiro maravilhoso de carne assada. Luiza exclamou: "Quero carne!", mas os preços não eram adequados, atravessamos a rua, e encontramos o Adamastor, um restaurante simpático, com uma escadinha que lembrou o restaurante de D. Ana, mãe de Fabiana que fica na Avenida Caruaru. A ornamentação é toda em motivos náuticos e o lugar parece mesmo um barco. Os preços eram bons, esperávamos que a comida também. O almoço foi bom, apesar das porções de arroz alimentar uma criança de 6 meses e a salada de alface ser inversamente proporcional. Pedimos dois pratos: lombo de porco assado e uma seleta de peixes. Muito gostoso. A carestia ficou por conta do refrigerante: Uma coca-cola em latinha custou-nos 2 euros!
Após o almoço, atravessamos a pracinha dos cavalos e fomos ao monumento dos descobrimentos.



Fico impressionada como esse povo foi corajoso... só de olhar o movimento das águas do Rio Tejo e esse vento forte, fico imaginando como eles se lançaram ao mar naquela época, com uma tecnologia tão restrita. Realmente, admirável. O lugar é lindo, e o monumento perfeito. Não fomos ao mirante porque quando entramos na parte interna ouvi um atendente dizer para um grupo de visitantes: "fifteen for person" Voltamos da porta. Por esse preço, é melhor ficar olhando do lado de fora, e acompanhar a leitura pisada de Luiza. Quando ela encontra algo escrito no chão, ler pisando nas letras. É engraçado!


Foi nesse sítio que ela me fez comprar esse óculos RayBan legíiiiitimo a um camelô moçambicano. Ele pediu 7 euros, eu disse que dava 5. Nada feito. Ele apelou, disse que era um óculos de marca. "Pra cima de mim, meu chapa?! Isso é um genérico!" Um casal idoso parou para acompanhar a negociação, e Luiza com o óculos na cara. Tirei 10 euros da bolsa e disse: "toma aí, me dá 4 de troco e está tudo certo". O bobão não tinha dinheiro trocado. "Então, me dê esses 5 aqui!" puxei o dinheiro da mão do moço aturdido e risonho. "É, tá certo... Leve." E Luiza já ia lá na frente, toda chique com seu óculos novo.
Fomos à Torre de Belém.

É um dos monumentos mais lindos que já vi. Do lado de fora ela parece pequena, mas, por dentro são 5 andares em uma escadinha íngreme e estreita, escupida na pedra. São tantos recantos com lindas visões da Barra do Tejo! A vista do alto da Torre é belíssima! Na volta, o sol estava inclemente. Curioso, embaixo dos barcos parados na marina ficam váriso peixes, de vários tamanhos. Disse a Tony: "Mas, meu Deus, não aparece um menino para pegar esses peixes?", aos risos, ele sentencia: "Ô, Anninha, tu és pobre!" Na verdade, a pobreza segue a gente... Fico impressionada porque não aparecem crianças para atacar os pés de laranja ou aventurar nessa água parada para pegar esses peixes. Já dava um bom almoço. 
Na volta, passamos no Pastel de Belém. Cansada, Luiza começou a reclamar. E quem anda com criança, tem que fazer algumas concessões. Como ainda estava superlotado ( depois soubemos que fica assim dia e noite), deixamos o pastel para depois. Pegamos o VLT, que nos deixou no meio do caminho, não ia até a praça da Figueira. Descemos relutantes em um ponto de ônibus, esperamos mais 15 minutos até o próximo autocarro. Eu inventei de ir procurar um supermercado próximo à pousada. Sem perguntar, acabamos batendo na Mouraria, e nada de encontrar o bendido mercado. Aos domingos nesse bairro visivelmente mais pobre do que onde estávamos instalados, as pessoas colocam as cadeiras nas calçadas e canteiros centrais, lembra muito um costume antigo que tínhamos no interior. Os grupos eram formados de muitos negros e homens morenos de turbante, acho que eram silks indianos, que se calavam quando passávamos. Estranho. Desistimos e fomos com o restinho das forças à praça do Comércio.
Essa foto foi Tony que fez. Para chegar lá, da Praça da Figueira, atravessamos a rua Augusta, que aos domingos fica repleta de mesinhas e turistas de todos os cantos do mundo. Os mais jovens sentam-se nas escadarias, e até se deitam no chão, não escolhem lugar.
Voltamos à pousada, com os pés em chamas de tanto andar. 
No outro dia, estavam planejados mais uns passeios. 
Conto o resto depois.
Té manhã!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Digam-lhe que fui ali: Lisboa - Parte 1

Na última sexta-feira concluímos a última Unidade Curricular do doutoramento. Essa foi bem mais longa do que as anteriores, e, prefiro destacar os aspectos positivos. Trabalhamos Metodologia da Investigação em Educação com dois professores que se entendiam muito bem, ambos extremamente dedicados ao trabalho e intusiastas da divulgação das metodologias e técnicas da pesquisa. Apesar de ter trabalhado essa disciplina com meus queridos da graduação, em vários momentos desejei ter uma tecla DELETE que apagasse aquelas ideias pela metade que tive que reconstruir. Ou seja, o que eu sabia, quase sempre não era bem assim. Isso sem falar nas normas técnicas. Aqui utiliza-se a APA, e a ABNT, velha conhecida, não vale nada. Foi preciso desconstruir   o que eu já sabia para aprender de novo de uma maneira diferente. Nada mais de acordo com as atuais teorias da aprendizagem. Ainda temos um trabalho para encaminhar dia 10, mas, como hoje ainda é 2, dá tempo de melhorar, completar e revisar bem direitinho e fazer como manda o figurino.
Em comemoração a este final de etapa, que conclui aos trancos e barrancos, vocês bem sabem, juntamos as nossas coisas e seguimos para Lisboa. Quando Tony chegou, já veio na ideia de visitar essa cidade tão famosa na nossa história, literatura e arte. Reservas feitas na terça-feira, saímos no domingo de manhã. Aliás, a saída já foi uma aventura. Coloquei o telemóvel para despertar às 05:30, pois daria tempo de acordar, se arrumar, tomar o pequeno almoço e seguir para a estação.  Não é que o danado descarregou, e quando acordei eram 06h35? pensem numa carreira! Felizmente, Luiza é amante das viagens, levantou-se logo, lavou o rosto, pulou dentro da roupa e comeu uma besteirinha. Pegamos o táxi na praça da Ria, apenas uma rua da estação, mas, naquelas horas, perderíamos o comboio das 7h20. Deu tempo. Compramos os bilhetes um pouco mais caros, mas matei minha curiosidade de viajar num comboio Alfa Pendular. Bonito, esse trem. Tem uma mesinha de trabalho no meio do conjunto de poltronas estofadas, um DVD sem som, um som discreto, um luminoso no final do vagão mostrando a temperatura interna e externa e a velocidade que a composição desenvolve. O condutor, anuncia as estações, poucas, pois como o trem é especial, não é "pinga-pinga".
Chegamos à Lisboa às 9h35. Da estação do Oriente, fomos ao centro de compras (shopping) Vasco da Gama, que fica logo em frente. Essa zona eu já conhecia da outra vez que viemos em 2005, para defesa do mestrado. A Universidade que estudávamos fez tanta confusão que nos hospedou no Hotel Meliá, que fica na esquina da Gare do Oriente (estação de comboios, metro e rodoviária). Portanto, não havia como se perder por aqui!
Após tomar um cafezinho, ficamos fazendo hora, para poder ir à pousada no Rossio. Providencialmente, troquei as  sandálias de salto de Luiza pelas sandálias havaianas, pois, sabia que ela acabaria reclamando de dores nos pés quando começássemos as caminhadas. Na Gare do Orienta, pegamos o metro (diz-se metro, sem acento no ô). Ficou fácil, pois as linhas são integradas e era um domingo, tudo calmo. Achar a pousada foi fácil também, pois o mapinha indicava que o prédio antigo ficava na Praça da Figueira.

Essa era a vista da sacada do 4ºandar do casarão que ficamos hospedados. Tony e Luiza providenciaram a contagem dos degraus: 96, até chegar na porta que dava acesso ao bloco onde ficava o nosso quarto. Os andares superiores tem um preço mais acessível, daí a razão da nossa escolha. Esses pontinhos pretos no chão da praça são pombos, os bichos mais safados que já tive a oportunidade de conhecer. Deixamos as malas no quarto, e após um breve descanso, fomos perguntar como chegar no Mosteiro dos Jerônimos. Fácil. Essa é a vantagem de uma boa localização. Ali na frente daquele prédio amarelo pára o VLT - Veículo Leve sobre Trilhos. É um trem que anda no meio da rua, bem bonitinho, parece um brinquedo. Pegamos o 15E, e tivemos o primeiro choque país rico/país pobre: cadê o cobrador???? Não tem. Há apenas uma máquina, muito chata que só aceita moedas (quando quer). Contamos os cobres, e dava para pagar a minha passagem e a de Tony. E agora? Decretei que Luiza não pagava e fui com as mãos repletas de vinténs lutar com a máquina. Colocava a moeda, e ela escorregava. Umas cinco vezes, acabei desistindo e fui para outra máquina no extremo oposto do vagão. Nisso, nas paragens efetuadas, o trem foi lotando de chineses, japoneses, franceses, italianos, espanhóis, todos indo para o mesmo destino que nós.  E eu, lutando com a máquina. Me abusei e soltei: "Ah! Dane-se para o meio dos infernos, máquina chata da peste!" Atrás de mim, uma multidão se acotovelava. Um rapaz ficou rindo, um brazuca no meio de um mar de nacionalidades entendeu a minha raiva contra a tecnologia. Atravessei a multidão para chegar onde estavam Tony e Luiza. "E aí? pagou?" Ele perguntou. Abri a mão com as moedas quentinhas, como novas. "E agora?". Abusada, respondi: "Não vou ficar pedindo pelamordedeus para pagar. A máquina miserável não quer me obedecer. Se aparecer um cobrador, eu jogo as moedas na cara dele." Chegando à Belém, fim da viagem, nada de cobrador. Saímos do trem desconfiadíssimos, mas percebendo que mais da metade dos passageiros estavam na mesma situação. Pense num prejuízo! É, Portugal está podendo.





O Mosteiro dos Jerônimos é uma obra de arte a céu aberto. É uma maravilha arquitetônica perfeitamente conservada através dos séculos.   







Como diria o amigo Geovani Melo, ninguém parte dessa vida, sem levar uma sobrada. Chegando no acesso, havia uma fila enorme, de várias nacionalidades. Comportados, entramos na fila sem reclamar. O sol à pino, era quase meio dia. Depois de quase 15 minutos, achamos estranho que algumas pessoas passavam direto e não voltavam. Fui lá ver o que era, estávamos na fila errada! Essa bendita era para a missa! Caminhamos. Uma boa surpresa nos aguardava: das 10h às 14h nos domingos, a entra da é GRÁTISSSSS! Os 20 euros que ficariam na entrada dançaram no meu bolso. saltitantes, entramos.

Visitamos o mausoléu de A. Herculano, cujo epitáfio não pude deixar de registrar:


Muito bom, né? a cara de Ilma, que não dorme quase nunca!

Aqui, também repousam os restos de Fernando Pessoa. Um lugar digno para um poeta fantástico, que é a alma de Portugal.
Lugar maravilhoso, não dá vontade de sair! Mas, Belém tem outros atrativos, monumentos que vemos nos livros e cartões postais e que é um prazer reconhecer. 
Depois, eu conto o resto.
Té manhã, fiquem com Deus.