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sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Pérolas" da profissão


Outro dia, no caminho da escola, perguntava a Luiza o que ela queria ser quando crescer. É uma pergunta clássica, e para alguns pais, uma pergunta retórica. Muitos nem esperam que a criatura em questão formule a possível resposta e vão logo respondendo pelo miúdo: "você será médico", "você será advogado", "você será empresário". Mesmo bem intencionados, acabam interferindo numa seara quenão lhes pertence. Cada um encontra o seu caminho, e cada ocupação tem suas delícias, mas tem também seus espinhos. Ontem estava relendo um pedaço do referencial teórico da minha tese, um trecho que gosto particularmente é quando me dedico a discutir com o leitor que a docência é uma profissão como qualquer outra, e que essa história de sacerdócio é conversa para boi dormir. Não com essas palavras, é claro, pois o discurso científico não é tão flexível assim. Por isso, concordo em número, gênero e grau com a colega Mónica Aresta, quando ela diz : "é tão mais fácil escrever posts". Contudo, a mensagem é essa mesmo: quem inventou essa balela de magistério como sacerdócio, com certeza queria auferir algum lucro. Para trabalhar bem precisamos não só de salários, mas também de condições adequadas de trabalho, cargas horárias mais humanas e formação continuada. E, ao escrever isso, fico me questionando se essas condições para desempenhar bem uma atividade profissional é exclusividade dos ofícios ligados à educação.
 
Investigando sobre "a profissão que me escolheu", conforme me disse minha querida amiga e Profa. Thayze, na entrevista que fiz como uma das estratégias de recolha de dados para esta tese em que labuto, tenho analisado o nosso corrido e estressante cotidiano com olhos de saudade. Quando nos afastamos, até das "alminhas de Jesus" sentimos falta. E este distânciamento metodológico que vivo, no melhor sentido das técnicas de investigação antropológicas, tem contribuído para reconhecer que o meu ofício é o ideal para mim. Mesmo nas dificuldades, depois que passa a raiva, eu sempre dou risada de muita coisa. Nas bocas dos professores há sempre um dito popular bastante engraçado: "A gente ganha pouco, mas se diverte". Era bom e justo que ganhassemos mais, mas tem situação que tem realmente piada, haja vista as pérolas do ENEM. São famosos os  posts e e-mails acerca das construções inusitadas dos estudantes na tentativa de oferecer uma resposta a uma questão que nem sempre dominam. Aparecem pérolas como:
 
A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo
ou
“A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly”
 
Ao nos depararmos com essas expressões da inteligência humana, no primeiro momento, não acreditamos. Depois da segunda ou terceira leitura, se tal compreensão foi fruto de uma intervenção didática por você promovida (o troço é seu aluno), emergem a raiva e a indignação. No terceiro momento, o sentimento é de desamparo. O professor fica a pensar do que ele pode fazer para reverter tão grave quadro. E por fim, depois que todos esses sentimentos passam, vem a vontade de rir, e toda vez que o professor se lembra daquela construção cognitiva, fica com ar de riso. Não deixa de ser divertido. Por outro lado, há coisas que os alunos escrevem, que são toscas, mas que faz até sentido, como esse conceito de geometria: "Ângulo são duas linhas que vão indo e se encontram." Não deixa de ser verdade, além de ser bem poético. Na sua curta carreira no magistério, Ilma (que hoje é operadora do Direito) deparou-se com uma situação engraçada, numa escola rural, no Neves, onde lecionou durante pouco mais de um ano. Então professora, minha irmã colocou na prova a pergunta: "O que são seres vivos?" e o menino respondeu de lá: "é tudo aquilo que se bole". "Bulir" é um forma agreste de dizer mexer, movimentar-se. O menino tinha até razão. E não venham apelar para os recifes de corais com vistas a refutar o pensamento do menino de 5ª série. Eu já vivi inúmeras situações engraçadas no exercício da docência. Uma delas foi numa avaliação de Sociologia da Administração, na FAGA. Não sei se vocês sabem, mas a minha primeira oportunidade na docência de nivel superior foi para substituir a profa. Eliane Vilar no curso de Adminsitração. Ela estava assoberbadíssima com a presidência da AESGA, e como eu havia sido sua aluna na UPE, ela me deu essa oportunidade, não de trabalho, mas de vida. Sim, então, nessa disciplina, trabalhavamos as teorias da administração numa abordagem sociológica. Na prova, trabalhando a Teoria X e Y, de Douglas McGregor, o acadêmico escreveu-me um tratado sobre a teoria, esclarecendo todos os pontos negativos e positivos da abordagem. Um sonho de consumo para qualquer professor. Mas na hora de referir-se ao autor, no lugar de "McGregor", ele escreveu "Marquidoves", o nome do prefeito de uma cidadezinha próxima a Garanhuns. Eu ri demais, e a turma tirou o couro dele. Mas, o ato falho não atrapalhou a avaliação. 
 
Quem lê essas mal traçadas linhas, pode incorrer no erro de que essas pérolas são exclusivas da docência. Essa semana, minha sobrinha Mayda, que é enfermeira, fez esse post Facebook:
 
 
Então, fiz alguns links mentais entre as carreiras da saúde e a docência. E os profissionais que cuidam da  nossa saúde (ou da falta dela) também se deparam com essas maravilhas da inteligência humana nos consultórios, ambulatórios e afins. Na discussão do post, vários profissionais gabaritados e curiosos diagnosticaram:
 

Grizielle Rocha Own mulé. deve ser a falta de hidroclorotiazinha...
Mayda Souza Deve "de" ser.... Ou capitoprilda! Kkkkkkkk...
Elayne Fernandes Boa amiga... Kkkkkkk qualquer coisa ela vai lá fazer uma "episcopia"... Rs
Mariana Waked E a dor de Regina??? Angina mudou de nome!!!! kkkkk
Mariana Waked Toma um paracetenó que passa!!!!
Antonio Souza O pior é sofrer de tia bete.
Mahria Socorro Souza Ou então uma BISCOPIA, Elayne... dá mto por essas bandas daqui, e o médico receita um hidracortiazinha! kkkk
Izabel Sobral Mahria Socorro Souza, vc tá falando errado é "buscopia", e o tal "raulxis" pra ver se trincou o osso!!!kkkkkkkkkkkkkkk
Eu ri demais. E atestei que mesmo trabalhar em meio a tantas moléstias, tem seu lado divertido. Se formos investigar, as  semelhanças entre estas duas profissões que se desenvolvem em ambientes tão diferentes, não são restrita apenas as bizarrices cotidianas. As longas jornadas, os múltiplos empregos, as péssimas condições do trabalho na rede pública e as dificeis relações de trabalho na rede privada, não são espinhos exclusivos da educação. E entre a Universidade e o Hospital, não sei onde estar a maior concentração de gente doida por metro quadrado. São situações comuns (e não normais) para quem labuta nestas áreas. Parafraseando Merton, são disfunções administrativas que temos que combater, e enquanto não há uma mudança, conviver. É coisa de onde tem gente, e gente é o bicho mais dificil de se tanger.
 
Até amanhã, fiquem com Deus.

 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Organizando os arquivos: as fotos de trabalho

Há muito tempo precisava fazer uma arrumação nos arquivos dos computadores. Como gavetas, armários e demais lugares projetados para esconder coisas, periodicamente precisamos verificar os arquivos para classificar o que deve permanecer e o que pode ser enviado para o arquivo morto ou para reciclagem. O Feng Shui ensina que se não retiramos do armário aquelas peças que não usamos, por diversas razões, o guarda-roupas (ou guarda-fatos) não se renova.

Fiz uma busca no João, nosso pequeno netebook que me acompanhou nesta primeira etapa da saga portuguesa. O coitado do João (chama-se assim em homenagem aos marcadores de Garrincha e a música "O futebol", de Chico Buarque: "Para cruzar com algum João na lateral..."), ao ser ligado mastigava, mastigava e sempre dava: NÃO RESPONDENDO. O coitado estava realmente muito cheio. Providenciamos um notebook, atendendo aos apelos de Francislê, que me advertia que um netbook não aguenta uma tese. Ou eu providenciava um computador com maior capacidade com um ecrã maior, ou estaria fadada ao final do curso ser uma PNE (Portador de Necessidades Especiais). Chamo-o carinhosamente de Garantido, o Boi vermelho de Parentins. Com esse staff de máquinas, as coisas ficam mais organizadas.

O caos estava no pen drive (aqui em dizem "a pen", no feminino). Tinha coisa do arco da velha, lista de notas do tempo do curso de turismo! Artigos do tempo do ronca para a Metodologia do Ensino Superior, atividades para o primeiro período de Direito. Tudo isso pode ser descartado, pois, como o tempo não pára, o conhecimento é dinâmico e a cada dia novas ideias são difundidas. Não dá para ficar com o texto antigo, esperando que ele seja usado, como aqueles nossos antigos professores que repetiam todo ano o mesmo material, até os grampos ficarem enferrujados!    

Mas, um arquivo me surpreendeu: as fotografias de trabalho! elas registram as pessoas com quem tive e tenho o prazer de trabalhar e conviver.
grupo do curso de Administração em Empreendimentos Turísticos. O de chapéu de Crocodilo Dandee é Zé Carlos!
Uma visita técnica com a turma do curso de turismo...ao Horto de Dois Irmãos, no Recife! Mas que ideia foi essa, de colocar um grupo de adultos num autocarro (cedido pela prefeitura de Caetés, arranjado por Vando Pontes, claro!) e fazer uma passeio de criança? Mas, foi inesquecível, como essa foto que o Paulo Roberto fez de um leão no zoo do Recife! Aprendemos e nos divertimos muito.

O leão do zoo do Recife. Foto do Paulo Roberto, o cozinheiro cearense!

Ou esse café da manhã na estrada. Animadíssimo!

Essas meninas lindas!

  Ou essa visita a um museu em Garanhuns, com o grupo de Administração.

Turma de Administração. Visita a Galeria do Prof. Josevaldo, em Garanhuns. 

As fotografias são registros maravilhosos de momentos que não tem mais retorno. Algumas nos fazem dar risadas. Como tivemos coragem de usar esse cabelo, e aquela roupa? Cumprindo a minha vocação de paparazzo do bem, fiz essas fotos da primeira colação de grau da FDG:
Adriana, Hugo (formando), Eliane, Orlando (formando) e Márcio
Ou dessa última capacitação que participei, antes de vir parar em terras portuguesas:

Grupo sui generis: Adriana (profa de Inglês), Silvia Renata (Profa, Direito penal), Miguel (Prof. Administração da produção) e Diego (Prof. Direito do trabalho)


De perfil: Meu querido amigo Gustavo, Adriano Senna (pense num cara gente fina) e Miguel (de novo!)
Companheiros de trabalho, professores e alunos que, cada um a sua maneira, tem um lugarzinho especial no meu HD afetivo. São pessoas maravilhosas que convivi durante um período, com os quais concordei e discordei, que me ensinaram informalmente. Esses arquivos ficam, eternizados em papel e em acessíveis em meio eletrônico para que no futuro, meus trinetos se divirtam com o nosso modo antigo de ser, aprender e trabalhar.

Lindas, minhas queridas amigas!

Saudades de hoje: Nem precisa dizer, né?

Té manhã, fiquem com Deus!