Apesar de hoje ser terça, vamos falar em domingo.
| Moliceiros, em 20.12.2010 |
Domingo é dia de acordar tarde, almoçar na casa da família ou recebê-los em casa. Nestes últimos meses este ritual tem nos feito muita falta. Cá, nesta rotina transplantada, o domingo de manhã, quase meio-dia após a ronda nas páginas obrigatórias, saímos para ouvir o som das ruas. Depois que os estudantes se foram (e já estão quase de volta), as ruas antigas da Glória se transforma em um pequeno território espanhol. Há dias que não ouvimos uma só palavra em português. Sempre em trios ou em grandes grupos, fazem igual algazarra que reverberam nas paredes dos casarões azulejados. Animados e divertidos, é engraçado tentar acompanhar as conversas atropeladas, lembrando daquele desenho antigo do Ratinho Ligeirinho. Outro domingo, atravessava a praça da Câmara arrastando o meu fiel carrinho de compras rosa pink e um casal de meia idade fotografava a Igreja. Ao me avistar, a mulher que posava na foto, exclamou "mira!" O senhorzinho disparou o obturador em minha direção. Continuei pelo beco às gargalhadas, pensando: "estou quase uma salineira!" Nem sabem quão gato por lebre é aquela fotografia da nativa que irão exibir orgulhosos à família em um domingo qualquer. Se bem que caladinha, até que não sou tão diferente das portuguesas. Ao pronunciar a primeira palavra, me denuncio. Numa outra ocasião, três senhoras me pediram uma informação: "Donde está lá catedral?" E para responder? pensei por 10 segundos e arrisquei, gesticulando para auxiliar na compreensão: "A delante, nesta calle, on the left, you will see the Catedral." Alegres, elas atropelaram-se no agradecimento, ao que respondi em bom português brasileiro: "por nada!". Depois de uma msiturada dessas, espero que elas não tenham se perdido.
É digno de nota que nestes grupos predominam pessoas da terceira idade e mulheres com crianças confortavelmente sentadas em carrinhos, mesmo as já grandinhas. É o sonho de consumo de Luiza, mas, ela já está grandinha demais para ser empurrada num carrinho de bebê. Os espanhois que enchem as ruas e os moliceiros que cruzam a ria são maioria entre os visitantes, mas também identificamos muitos italianos e alemães. Vem também um povo alto e louro que fala um idioma cheio de "rrrr", não consegui identificar de onde são, mas, quando passam nas barcas, acenam satisfeitos para os transeuntes que cruzam as pontes.
Aveiro nos domingos de verão é uma aula de turismo à céu aberto.
Té amanhã, fiquem com Deus.