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| Disponível em: http://www.solidario.blog.br/?p=4870 |
Num final de semana destes, fomos ao cinema ver um filme que Luiza estava doida para assistir. E quando ela quer uma coisa, até que tem paciência de esperar, mas a cobrança é intermitente. Mesmo com a previsão de cochilos na sala escura, quentinha e silenciosa - os miúdos portugueses portam-se muito bem nos espaços coletivos, e no cinema, nem parece que estamos em sessão de filme de censura livre - fomos sob chuva fina de uma primavera estranha ver o Lorax. O bichinho é até simpático, amarelinho, peludo e de grandes bigodes. Mas, à partida já estava intrigada com o nome da criatura, pois pareceu-me mais adequado para um laxante. O filme tratava de uma cidade muito bonitinha e limpa, mas que tudo era de plástico. Árvores, casas, jardins, carros, tudo era de plástico. O projeto grandioso de um empresário megalomano, porém baixinho, era perfeito, se não fosse a paixão de um adolescente, disposto a fazer a amada feliz. Para conquistar o coração da menina magricela que pintava árvores, o garoto subverteu a ordem em busca de uma árvore de verdade, orientado pela sua avó. A velhinha sabia das coisas.
Está bem, eu dei uns cochilos, mas deu para entender o filme, muito parecido com O Mundo dos Nem, provavelmente da mesma indústria cinematográfica. Durante a caminhada de volta para casa, discutimos a problemática do consumo de plástico. Conforme já escrevi algures por aqui, na Europa, a coleta seletiva é uma perfeição, e Portugal não foge a regra. Desde pequenos, os meninos são educados na escola sobre a importância de separar por categorias e destinar ao ecoponto correto. Há ecopontos distribuidos pela cidade, que são recolhidos com regularidade. E tudo deve ir separadinho para cada depósito específico: vidro, no ecoponto verde, papel no ecoponto azul, plástico e metal no ecoponto amarelo. Lixo orgânico e outras categorias, nos depósitos específicos. Óleo de cozinha, no oleão. Pilha, no pilhão. Tem até depósitos para roupas usadas em condição de repasse, lixo monstro (móveis e coisas maiores), lixo verde (aparas de árvores e jardins). Eletrodomésticos, vão para o pontoeletrão. Cada coisa no seu lugar. Uma maravilha, para nós, um sonho de consumo.
Infelizmente, a perfeição não existe.
O problema dos lados de cá está no consumo. O modelo de consumo é assombroso, mesmo em tempos de crise, compra-se demais. Se a sustentabilidade assenta-se na prática (e nunca no discurso) dos três Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar, a Europa vai muito bem em separar para a reciclagem. Já o primeiro R - Reduzir - é mais dificil, até porque vivemos no mundo das embalagens. Quase tudo que compramos vem adequadamente acondicionado em embalagens plásticas, ainda que tomemos o cuidado de utilizar sacos retornáveis. Em Portugal aprendi rapidinho a utiliza-las pois pagamos de 2 a 5 cêntimos pelo saco para carregar as compras. Parece ser uma quantia insiginificante, mas somando tudo, no final do mês dá para custear o pão de um dia. A crise e o câmbio são dois professores eficientíssimos. Além disso, como bolsa de mãe é sempre espaçosa, cabe uma sacolinha retornável sem problemas. Tenho duas: uma da Wallmart, presente de Ilda, que veio comigo do Brasil e uma que é em forma de um morango, que a Dayse me deu, logo que cheguei aqui. Fechadinha, cabe na palma da mão. O ruim é a distração na hora de pegar a bolsinha e sacudir dentro da bolsa-de-mãe. Outro dia, não prestei atenção no que pegava e quando cheguei ao banco e abri a bolsa, me deparei com um pano de prato bem dobrado. Neste dia, entre as risadas de Luiza, lembrei-me de uma história: quando dava aula em Canhotinho pelo Progrape/UPE (já trabalhei de professor-caxeiro-viajante na UPE!), a maioria de nossas alunas eram senhoras professoras, quase todas casadas e com família numerosa. Não é nada fácil voltar à estudar, principalmente porque as companheiras da educação básica frequentemente não tem o apoio da família. Elas gostavam muito de utilizar dicionário, para consultar palavras desconhecidas, um apoio para trafegar em um mundo de novidades. Um dia, entreguei os exames, e os dicionários pularam às mesas. E, dali a pouco estava um risinho reprimido em toda sala. O motivo do riso era um engano: Na hora da pressa para sair, ainda concluindo o jantar do marido e arranjando a bolsa, a colega deixou o dicionário e trouxe na bolsa um inhame. Eu perguntei-lhe: "será que tu cozinhasse o dicionário pro marido jantar, Maria?" Risada geral. Ela respondeu, sem se abalar: "É, professora, quem sabe se ele comer o dicionário, fique mais sabido." Boas lembranças.
Mas, voltando ao assunto: o que tem me preocupado são aquelas embalagens que não temos como dar à volta. Não dá para sair assim à rua:
Para além da figura, temos os itens que consumimos que enchem nossa vida de plástico. Consultando material sobre o tema, me informei que 40% do que compramos é embalagem que será descartada. Portanto, custa-nos muito e pagamos por cada canudo (palinha, em Portugal) que utilizamos. Para comprovar a razão de se preocupar em vivem num mundo de plástico, fiz um teste: enfrentando a minha síndrome do "joga fora ou passe a diante", deixei de levar as sacas com o plástico para o ecoponto durante uma semana, para ver quanto comsuminos de embalagens. Foi uma agonia, pois a nossa diminuta cozinha/área de serviço não fica nada bem com esses indesejáveis. Somos uma família de duas pessoas - eu e Lulis - e vejam lá o que resultou:
Explicando: não é exatamente o que consumimos em uma samana pois, duas pessoas não consomem uma garrafa de 750 ml azeite neste período, por exemplo. Mas, foi o que acabou-se na ocasião, transformando-se em lixo. Ainda assim, é muita coisa. A nossa preocupação geralmente acaba no ecoponto, pois sabemos que boa parte daquilo vai ser reciclado. Menos mau. Porém, a partir da ideia da preciclagem, ou seja, pensar antes de comprar, poderíamos dispor de alternativas para reduzir a quantidade dessas embalagens também. Um bom exercício para os designs de ecoprodutos, assim, reduziriamos o consumo de embalagens. O ambiente e o nosso bolso agradecem!
Até amanhã, fiquem com Deus.
PS: Obrigada pela contribuição involuntária de Neide Freitas, foi na página dela que arranjei a charge.
Mas, voltando ao assunto: o que tem me preocupado são aquelas embalagens que não temos como dar à volta. Não dá para sair assim à rua:
Para além da figura, temos os itens que consumimos que enchem nossa vida de plástico. Consultando material sobre o tema, me informei que 40% do que compramos é embalagem que será descartada. Portanto, custa-nos muito e pagamos por cada canudo (palinha, em Portugal) que utilizamos. Para comprovar a razão de se preocupar em vivem num mundo de plástico, fiz um teste: enfrentando a minha síndrome do "joga fora ou passe a diante", deixei de levar as sacas com o plástico para o ecoponto durante uma semana, para ver quanto comsuminos de embalagens. Foi uma agonia, pois a nossa diminuta cozinha/área de serviço não fica nada bem com esses indesejáveis. Somos uma família de duas pessoas - eu e Lulis - e vejam lá o que resultou:
Explicando: não é exatamente o que consumimos em uma samana pois, duas pessoas não consomem uma garrafa de 750 ml azeite neste período, por exemplo. Mas, foi o que acabou-se na ocasião, transformando-se em lixo. Ainda assim, é muita coisa. A nossa preocupação geralmente acaba no ecoponto, pois sabemos que boa parte daquilo vai ser reciclado. Menos mau. Porém, a partir da ideia da preciclagem, ou seja, pensar antes de comprar, poderíamos dispor de alternativas para reduzir a quantidade dessas embalagens também. Um bom exercício para os designs de ecoprodutos, assim, reduziriamos o consumo de embalagens. O ambiente e o nosso bolso agradecem!
Até amanhã, fiquem com Deus.
PS: Obrigada pela contribuição involuntária de Neide Freitas, foi na página dela que arranjei a charge.









