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domingo, 14 de maio de 2017

Aprendizagens maternas, lições para toda a vida

Então, já chegou maio. Lá no outro hemisfério tudo já está repleto de flores, pássaros e pequenos bichos. Cá, olhamos para o céu perscrutando as nuvens para adivinhar se vai cair alguns pingos de chuva. E assim, sempre cheios de esperança, enfrentamos mais um ano de seca. Parafraseando Euclides da Cunha,  nordestino é, antes de tudo, um forte. Sempre encontramos alternativas para ir conduzindo a vida, mesmo nos momentos mais difíceis. 

Como hoje, no Brasil, é o dia das mães, é inevitável não partir do exemplo destas para entender melhor a resistência nas provações, a fortaleza nas adversidades, a esperança em dias melhores. Neste ano, o meu dia das mães tem a imagem da Pietá, obra icônica de Michelangelo como imagem, pois a maternidade não é fácil, mas há momentos em que é insuportável. Somente as mães aguentam. Creio que esta semana atravessamos um dos momentos mais difíceis na nossa Instituição. A professora Izabel perdeu o filhinho, com apenas sete anos de idade. Se a morte é desafiadora, o funeral de uma criança é devastador. Para mim, Izabel não é somente uma colega de trabalho. Como fiz parte da Avaliação Institucional até o ano passado, da qual ela é Presidente, fiz parte da equipe desde que voltei de Portugal. Então, o convívio foi quase diário. Partilhamos de sua angústia todas as vezes que o pequeno tinha uma crise, e passava dias no hospital. Neste período, testemunhei o cuidado e a dedicação desta mãe, deste pai e desta família para minimizar o sofrimento da criança, portadora de uma grave doença congênita. Confesso que, na última semana alternei momentos de fé e de dúvida. Quando uma criança passa por um sofrimento tão intenso, lá no íntimo, até os anjos questionam. Na quarta-feira, pelas 22 horas, Deus decidiu que a luta de Thiago chegara ao fim, e convocou-o para a eternidade. Como nos disse a própria Izabel, "ele não saiu perdedor. Cumpriu sua missão com grandeza e fica a luz da sua breve passagem no mundo." Somente uma força divina inspira uma mãe a pensar com tamanho desprendimento. Se há um fator positivo em tamanho sofrimento, precisamos entender que aprender a melhorar como pessoas é possível quando nos compadecemos e sofremos juntos, exercitando a legítima sororidade. 

Então, a vida segue para todos nós, que compartilhamos com sinceridade esse momento, de uma forma diferente. A tristeza faz parte da vida, nos fortalece e nos humaniza. Quantas mães, como Jucileide e Fátima, que perderam seus filhos de forma trágica, prosseguem na luta de cada dia? Quantas, como Rosa, Virgínia e Ilma, enfrentam os desafios de criar da melhor maneira seus filhos com limitações físicas. dificuldades cognitivas e/ou comportamentais? Quantas, como Izabel e Sônia Marguete, pelejam para formar pessoas corretas e honestas, sem a ajuda do pai? São exemplos de força que me impressionam a cada dia.  

Neste dia especial, quero agradecer especialmente às que me ensinam pelo exemplo. Quero agradecer as mamães que, generosamente, partilham as fotos de seus filhos, fazendo da rede social um ambiente mais humano e amoroso. Como não sorrir com as peripécias e Cauã e Valentina, crianças da linda Fabiana Vilar? Como não se encantar com as belezas de Mariana e Margarida, da Mónica Aresta? Adoro ver a Julinha, de Mayda,  maior a cada dia, aprendendo ao que há de melhor nesse mundo. Me divirto com a graça espontânea da Deborah, de Jenyfer, da Julia, de Elaine Ferreira, do Bernardo, da Thais, Heleninha, neta da querida Helena Mota (avó é mãe duas vezes!), do Thiaguinho, sobrinho de Thayze. Me dá uma satisfação imensa saber que o menino da Maria Manuel e o Rafa, filho mais novo de Vilma, já são rapazes. Obrigada as mamães. vovós e titias orgulhosas que, com um pequeno gesto, fazem mais felizes os meus dias.  Sorriso de criança faz bem para a alma e, são tantos os espinhos no caminho, que os pequenos iluminam parte dessa imensa seara que é a vida.

Fiquem com Deus.   

domingo, 11 de maio de 2014

dia da mãe e reflexões à perder de vista

Pronto. Então, me atrasei mais uma vez. Hoje, inventei de arrumar as coisas, e daí, perdi a hora. No domingo pela manhã, preciso ficar à mesa, ainda em pijamas para que a publicação seja feita no primeiro horário. 2014 é um ano, de alguma forma significativo, para nós. Após quase três anos fora, é o nosso retorno. Luiza mudou de escola, e já vai no 5º ano. Por isso, penso que foi este o meu último ano de festinha das mães na escola. Também, sou mais que veterana. Como minha pequena começou em fraldas na escola, são 10 anos de vida e 8 festas das mães. Só não são mesmo oito anos porque em Portugal faz-se as lembrancinhas, mas não tem as apresentações e comes e bebes na escola. Cada um faça a festa com sua mãe em particular. Aqui é tradição promover as apresentações e as festinhas, o que frequentemente põem as mães de cabelo em pé, pois nem sempre a escola tem a sensibilidade de promover o encontro numa hora possível para as mães trabalhadoras. Felizmente, a nova escola de Luiza neste pequeno detalhe e marcou a festinha para as 17h30. Tudo muito bom, tudo muito bem, para quem tem um cotidiano normal, o que não é o meu caso. Como estamos terminando (graças a Deus) um projeto de curso com o prazo mais que apertado para submissão e reconhecimento do CEE, temos enfrentado jornadas de trabalho estendidas. Na quinta, dia da festinha, cheguei da IES às 7h40, saí às 12h35. Almoçamos juntos, rapidinho lá na escadinha (um restaurante popular que tem na avenida Caruaru. A comida de D. Ana é excelente, o preço é acessível e é perto), e voltei às 13h20. Trabalhamos até às 17h, quando Luiza chegou para a carregar-me para a festa. Depois, voltei às 19h15 e caí na sala de aula até às 21h40. Ninguém disse que isso seria fácil, mas também não precisava ser assim. Cheguei esbaforida e descabelada na festa, pendurada no celular, acertando detalhes de assuntos de trabalho com a presidente da Autarquia, enquanto as outras mães exalavam bons perfumes e exibiam seus melhores modelitos. Não me importei, pois cada um sabe de seu cotidiano, e a festa foi muito legal. Lulu estava entusiasmada com a apresentação, embora já tenha feito números bem mais elaborados. Dividi a mesa com uma ex-aluna da FDG e uma jovem mãe que não conhecia. Apesar da boa localização, pareceu-me que a mesa era a sorteada para ser "caloria zero" pois o buffet nunca chegava até nós. Luiza foi se enchendo e abordou uma das garçonetes, cobrando atenção e salgados. As apresentações transcorreram muito bem e depois teve a preleção de um pastor, que não me lembro mais o nome. No final, já próximo das 18h30, houve um bingo. Ainda consegui completar uma cartela, mas, empatei com outra mãe. Na decisão, perdi por pontos. Não tem mal. Azar no jogo, sorte no amor. Já na prorrogação do meu tempo, serviram o lanche. Tudo lindo e gostoso. Comi uns doces e sai correndo, pois os meninos do 1º de Administração me esperavam, e já fazia quase um mês que eu não ia à turma, por causa dos feriados. Felizmente, são generosos e me esperavam, envolvidos com a distribuição do fardamento recém-confeccionado. Apesar do atropelo, tudo correu bem.

Das festividades, três coisas me chamaram muito atenção. Como sabem, Luiza mudou de escola e de credo. Saiu da escola católica para a escola evangélica. E como eu estudei todo o ensino fundamental (na época era primeiro grau) numa escola evangélica, em alguns aspectos, reencontrei pistas da minha história. Primeiro, o presentinho que a escola mandou foi uma linda proposta de interação: tecidos para que juntas, mamãe e menininha, confeccionassem um pano de copa. Começamos hoje, aproveitei e iniciei Luiza no mundo das costuras, dentro de minhas limitadas habilidades. Penso que vamos levar mais de um mês para conclui-lo, mas, vai ficar bem bonitinho. Um presente participativo, que visa promover a interação entre mãe e filho. Gostei muito. Depois, sobre as músicas que falam da mãe. Se vocês prestarem atenção na letra das canções, elas falam sempre de um ser perfeito, maravilhoso e abnegado. Enquanto a professora apresentava um vídeo com muitos corações, mamães e bebés e rosas, eu refletia que o modelo de mãe que ainda se propaga é muito cruel com a mulher que se divide no trabalho. Principalmente se for um trabalho intelectual, que consome física e mentalmente. Tenho conversado com muitas jovens mães, tentando sensibiliza-las para que fujam do estereótipo da mãe perfeita, abnegada, que renuncia a tudo pelos filhos. Primeiro, que a perfeição não existe. Depois, que sabemos que a culpa é inimiga da saúde mental. E sendo bem sincera: tem muita mulher que atribui a sua falta de coragem aos filhos para tomar as rédeas de sua vida. É muito mais fácil renunciar a tudo e jogar a responsabilidade para os meninos. Filho não impede ninguém de nada, até promove um pouco mais de juízo. Já abordei esse tema no post "Mulheres perfeitas", e luto contra a idealização do ser humano, pois a expectativa que se cria é injusta.

Por fim,   a preleção do pastor me trouxe uma discordância histórica que tenho com a interpretação evangélica de algumas passagens bíblicas. Digo histórica pois há mais de 30 anos que me questiono a história narrada em Lucas 10: 38-42. Trata-se daquela passagem que Jesus vai à casa de Marta, Maria e Lázaro. Aliás, parece-me que Jesus e os três irmãos eram bem amigos. E toda vez que Jesus chegava, Maria se aboletava aos pés do Salvador, para ouvir-lhe as boas conversas. Enquanto isso, a Marta se ferrava com o almoço, com a casa, com a cozinha. Quem conhece serviço de cozinha sabe que aquela azáfama não termina. Penso que a Marta estava tão de saco cheio com a folga da Maria que reclamou a Jesus, e ainda recebeu a seguinte resposta: "Marta, Marta, anda muito inquieta e se preocupa com muitas coisas. No entanto, uma só lhe é necessária. Maria, sua irmã, escolheu a melhor parte.” E eu, com oito, nove anos de idade ficava pensando: Maria é muito da folgada. E se todos trabalhassem, o serviço terminava logo e todos poderiam aproveitar a palestra de Jesus. Na verdade, nunca me agradei de gente escorona, e Jesus que me perdoe, mas nessa ele errou feio. Ou estava apenas tirando um verso. Pois, após tantos anos me reencontrei com a história e mantenho a minha opinião: cooperando, tudo é mais fácil de executar. E com os resultados partilhados, todos ficam felizes. 

Outra coisa que me chama atenção é a negação sistemática que os evangélicos fazem importância da mãe de Jesus. Mas, isso é tema para um outro post, pois é muito pano para as mangas.

Até amanhã, fiquem com Deus.
Felicidades com sua mãe, e seja um bom filho durante todos os dias do ano. De vez em quando, lave os pratos - sem ela mandar!

sábado, 7 de maio de 2011

Mãe 2

Como amanhã será o DIA DAS MÃES no Brasil, acabei falando na minha mãe desde de manhã cedinho. Aliás, lá nos Ferreira, mãe está na moda. As duas noivas que no casamento Luiza foi dama de honra estão grávidas, e lá vem mais dois Ferreira (ou mais!) no mundo. Danielle e Manuela, que eu vi meninas, estão gestando seus rebentos. Prova inconteste, triangulada pela foto de Juliana, emocionada na festa das mães da escola do seu pequeno João de que o tempo não pára. 
Mesmo firme na minha decisão de só contribuir com uma criança na demografia mundial, não tenho uma só palavra de queixa quanto a maternidade, que é um negócio complexo. Nos nossos encontros, Petronildo sempre dizia: "o mundo só sobrevive por causa da mãe. Se a mãe não existisse, era o fim da humanidade!" Com aquele exagero hilário que lhe é peculiar, demos risadas com as suas histórias de pai desastrado, justificando a inestimável contribuição das enormes bolsas de mãe para a sobrevivência da raça humana. É nesse objeto de primeira necessidade que a mãe coleciona toda sorte de obetos essenciais para prover as necessidades de seu rebento: garrafinhas com água ou suco, bolachas, balas, remédios, fraldas, lenços, brinquedos e de vez em quando cabe até uma muda de roupa. As mães são prevenidas, videntes das possíveis necessidades de seus pequenos. Depois que eles crescem, tem sempre uma brecha no cartão de crédito ou no orçamento, mesmo os mais apertados. Mas, dequalquer forma, a bolsa da mãe é uma construção social, como diria o meu querido cunhado.
Mas, não existe mãe sem seus filhos. Muitas se queixam das preocupações, das noites sem dormir, da trabalheira quando estão doentes. E esses discursos acaba metendo medo naquelas que ainda estão na antessala da procriação. Em mesma fui, de certa forma, vítima desses discursos quase terroristas. Aquela fala de "filho é preocupação até o fim da vida" ou "nunca mais você vai dormir uma noite de sono", me assombraram durante algum tempo. Da minha experiência pesada e medida, planejada até a época de parir nas férias para não atropelar a profissão, asseguro-lhes: ter filho é um barato. Muda a nossa vida para melhor. É claro que tem algumas coisas que não dá para fazer enquanto eles são pequenos, como ir para a night portuguesa. Mas, tem coisas que só dá para fazer enquanto eles são pequenos, e, como já disse anteriormente, o tempo não espera por nós. Nessa odisséia, não sei como seria se minha filha não estivesse presente. É minha companheira de luta, de estudo, de risadas e de sorvetes. É a certeza de que cada minuto vale a pena.
Ser mãe é, como diriam os portugueses, muito fixe! E neste dia, não só lembro, mas tenho a minha mãe do meu lado, que dialoga comigo  enquanto os outros pensam que eu estou falando sozinha. Às vezes lamento por não ter sido mais presente, ou mais amorosa, ou mais paciente na sua velhice.   Mas, o tempo segue seu curso, e o que há de bom em mim, foi por ela dado.
Té manhã, fiquem com Deus!   
  

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mãe

Domingo passado foi o dia da mãe em Portugal. Interessante como essas datas não batem com o calendário brasileiro. O dia do Pai foi em 14 de março e o da mãe uma semana antes do nosso segundo domingo de maio. Outra coisa curiosa é como se referem a esta data: aqui é dia DA MÃE e dia DO PAI. Nada no plural, isso é coisa do mundo multi-brasileiro.

Domingo fomos passear na cidade sob um céu nada amigável. Nestes últimos dias tem desabado aguaceiros como os do Recife, dos quais eu não tenho a mínima saudade. E olhe que Aveiro tem áreas que também alaga. Essas cidades-Veneza tem esses pequenos problemas. Luiza me comprou um presente, uma camiseta amarela com macacos estampados, ela mesma foi lá, pagou e trouxe o presente, orgulhosa. Nestes momentos, discutíamos a diferença dos termos, singular português e plural brasileiro. "Talvez seja porque mãe só tem uma por aqui, né mãe?", sentenciou a pequena. Concordei, mas me pus a pensar no caso. 

Naturalmente, o Brasil tem suas características multi, e  é justamente o que o faz único: Essa Babel tropical reinventa-se a cada dia. E esse dia DAS MÃES deve ter a suas raízes antropológicas. Lembrando do tempo que passei entre os índios (Fulni-Ô, em Águas Belas, e os Xucurus, em Pesqueira), aprendi que estes tem um modo todo especial de lidar com os filhos, não limitando-se aos registros nos livros de Darcy Ribeiro e Florestan Fernandes. Como vivem em comunidade (apesar dessas populações já há muito tenham sido anexadas a sociedade nacional e até atravessadas por ela), as crianças ainda são patrimônio do grupo. Quando se tem um filho, a responsabilidade pela educação e o cuidado, não é somente da mãe e do pai, mas de todos os mais velhos que tem a incumbência de perpetuar as tradições já tão desgastadas. A escola também tem uma responsabilidade com a educação dos pequenos, hoje existe legislação especifica para a educação indígena, planejada e executada pelos próprios, e não uma educação para o índio, arquitetada nos gabinetes sombrios da capital. Os povos tradicionais são mais pacientes com suas crias, menos estressados com as suas experimentações do mundo. Lembra-me o modo leve que Nell toma conta dos filhos, sem muita neura de mãe enlouquecida com os germes, os vírus e as pestes pós modernas.

Essa coisa de ser plural chega atinge a nossas práticas sociais, não se restringe a um termo, um modo de falar. Quem, em sua trajetória pessoal, não tem aquela que lhe acolheu e lhe tratou como mãe? Depois que minha mãe se foi desse mundo, encontrei uma Mãe Honoris Causa. MhC Genésia é aquela que me apoia, me ouve, e me puxa as orelhas quando necessário, além de ter me acolhido na sua família. Por isso que para mim, domingo que vem é dia DAS MÃES,  com todo plural e toda gratidão a que tenho direito.

Saudade de hoje: Do Prof. Edson Hely, da UFPE,  bravo orientador dos meus primeiros passos na produção científica, e que me ensinou muito sobre os povos indígenas. 


Té manhã, fiquem com Deus!